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102.1 - Dimensionar partições de disco

Peso: 2

  • Distribuir os sistemas de arquivos e o espaço de swap para separar partições ou discos.
  • Adaptar o projeto para o uso pretendido do sistema.
  • Garantir que a partição /boot esteja em conformidade com os requisitos de arquitetura de hardware para a inicialização.
  • Conhecimento das características básicas do LVM.

Lista parcial de arquivos, termos e utilitários utilizados

Section titled “Lista parcial de arquivos, termos e utilitários utilizados”
  • Sistema de arquivos raiz / (root)
  • Sistema de arquivos var
  • Sistema de arquivos home
  • Sistema de arquivos boot
  • Partição de sistema EFI (ESP)
  • Espaço de swap
  • Pontos de montagem
  • Partições

Antes de qualquer dado ser gravado, um disco precisa ser particionado, ou seja, o disco deve ser dividido em subconjunto lógicos chamados partições. As partições são como uma “cerca” que delimita o uma região do disco. Dentro de cada partição existe um sistema de arquivos, que descreve como os arquivos são organizados, onde estão os metadados e como tudo se relaciona.

Todo disco precisa de pelo menos uma partição. As informações sobre elas ficam armazenadas em uma tabela de partições, sendo as mais populares o MBR e o GPT:

CaracterísticaMBR (Master Boot Record)GPT (GUID Partition Table)
Limite de tamanho de discoaté 2 TB.até 9,4 ZB (Zettabytes).
Quantidade de partiçõesMáximo de 4 partições primárias.Até 128 partições primárias.
Segurança e RecuperaçãoDados de boot em um único lugar. Se corromper, perde o acesso.Várias cópias de segurança espalhadas pelo disco.
Compatibilidade de BIOSCompatível com a BIOS (Legacy).Exige suporte UEFI.

No Linux, um sistema de arquivos só fica disponível depois de ser montado. Montar significa vincular a partição a um diretório da árvore do sistema, o ponto de montagem.

Terminal window
# Verificar o que está montado e onde
mount | grep "^/dev"
# Montar uma partição manualmente em /mnt
mount /dev/sdb1 /mnt

Os dispositivos removíveis (pen drivers) são montados automaticamente em /media/USUARIO/ROTULO. Para montagens manuais, a convenção é usar /mnt/.


NOTA: Se o ponto de montagem já contiver arquivos, esses arquivos ficam ocultos enquanto a partição estiver montada. O que você vê é o conteúdo da partição, não o diretório original.


Há 03 razões principais: resiliência, segurança e desempenho.

  • /boot: Contém o kernel, o initramfs e os arquivos do GRUB. Mantendo em partição separada, o sistema ainda consegue inicializar mesmo que a partição raiz esteja com problemas. Em sistema BIOS antigos, essa partição precisa estar antes do cilindro 1024 do disco.

  • /boot/efi - ESP (EFI System Partition): Exigida em sistemas UEFI. É formatada em sistemas de arquivos baseados em FAT. Armazena os carregadores de boot de todos os sistemas operacionais instalados. Em discos MBR, seu ID de tipo é 0xEF.

  • /home: Diretórios pessoais dos usuários. Separados da raiz, é possível reinstalar o sistema operacional inteiro sem tocar nos dados dos usuários. O diretório costuma ser seguido pelo nome do usuário, como /home/fernando. O tamanho da partição deve lever em conta a quantidade de usuários e o que os usuários armazenarão em seu espaço.

  • /var: Este diretório contém “dados variáveis”, ou arquivos e diretórios nos quais o sistema deve poder escrever durante a operação. Dentre eles estão:

    • /var/log: Logs do sistema.
    • /var/tmp: Arquivos temporários.
    • /var/cache, /var/html, /var/mysql: Dados de aplicações.

A razão mais importante para isolá-los é a estabilidade: um processo com bug pode encher /var completamente. Se ele estiver na raiz /, o kernel pode entrar em pânico (kernel panic) e corromper o sistema inteiro. Com o /var isolado, só essa partição é isolada.


A partição de swap é onde o kernel move as páginas de memória RAM quando a memória física está sobrecarregada. Ela tem um tipo específico e precisa ser inicializada com mkswap antes de ser usada, não pode ser montada como diretório comum.

Na documentação do Red Hat Enterprise Linux 7, a Red Hat recomenda o seguinte:

Quantidade de RAMTamanho do Swap recomendadoTamanho do swap recomendado com hibernação
< 2 GB de RAM2x a quantidade de RAM3x a quantidade de RAM
de 2 à 8 GB de RAMIgual à quantidade de RAM2x a quantidade de RAM
de 8 à 64 GB de RAMNo mínimo 4 GB1,5x a quantidade de RAM
> 64 GB de RAMNo mínimo 4 GBNão recomendado

Nota: Além de partições de swap, o Linux suporta arquivos de swap swapfile, úteis para aumentar o espaço de troca rapidamente sem reparticionar.


O grande problema do particionamento tradicional é que você decide o tamanho de tudo antes de saber exatamente como o sistema vai crescer. O LVM resolve isso com uma camada de abstração, ele é uma forma de virtualização do armazenamento que oferece aos administradores de sistema um método mais flexível do que o particionamento tradicional para gerenciar o espaço em disco. O objetivo do LVM é facilitar a gestão das necessidades de armazenamento de seus usuários finais.

  • Physical Volume (PV): É um dispositivo de bloco no sistema, como uma partição de disco ou uma matriz RAID.
  • Volume Group (VG): Grupo de PVs que abstraem os dispositivos subjacentes e são vistos como um único dispositivo lógico, com a capacidade de armazenamento combinada dos PVs do componente.
  • Logical Volumes (LV): São as “partições virtuais” que você realmente usa e formata com sistemas de arquivos (como ext4 ou XFS). Eles são criados retirando espaço do Grupo de Volumes (VG).

Discos físicos
↓
Volumes Físicos (PV) — ex: /dev/sda2, /dev/sdb1
↓
Grupos de Volumes (VG) — pool único de espaço
↓
Volumes Lógicos (LV) — "partições" redimensionáveis
↓
/dev/VGNAME/LVNAME — formatado e montado normalmente

No LVM, as extents (extensões) são os “tijolos” fundamentais que constroem todo o sistema de armazenamento. Por padrão, cada extent possui 4 MB (mas você pode mudar isso ao criar o Grupo de Volumes). Elas representam os menores blocos de dados em que o LVM divide o espaço e são divididas em duas categorias:

  • Physical Extent (PE): Blocos em que o disco físico (PV) é fragmentado ao entrar no LVM.
  • Logical Extent (LE): Blocos que formam o volume lógico (LV) que você utiliza.

O tamanho de um volume lógico é simplesmente: número de extents × tamanho da extents. Para aumentar um LV, basta adicionar mais extensões do pool do VG, sem mover dados para outro disco.

Quando você cria um Volume Lógico de 40 MB, o LVM apenas junta 10 LEs e os conecta a 10 PEs livres do seu disco.


Terminal window
# Ver volumes físicos
pvdisplay
# Ver grupos de volumes
vgdisplay
# Ver volumes lógicos
lvdisplay