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Cisco CCNAv7 - Introdução ao roteamento

O roteador é o dispositivo que liga redes diferentes. Em cada salto, ele recebe um pacote, decide por qual interface ele deve sair e o reenvia. Para isso, o roteador consulta a sua tabela de roteamento. Neste post, você vai ver como essa decisão é tomada e como ler a tabela de um roteador Cisco. A configuração completa de roteadores será vista no módulo 10.

flowchart TB
  A["Quadro chega<br/>em uma interface"] --> B["Remove o quadro<br/>e lê o IP de destino"] --> C{"Há rota na tabela<br/>para o destino?"}
  C -->|"Rede conectada"| D["Entrega direto<br/>ao host de destino"]
  C -->|"Rede remota"| E["Envia ao<br/>próximo salto"]
  C -->|"Nenhuma, mas há rota padrão"| F["Usa a rota padrão"]
  C -->|"Nenhuma e sem rota padrão"| G["Descarta o pacote"]

Passos:

  1. O roteador recebe o quadro e o desencapsula, ficando com o pacote IP.
  2. Lê o endereço IP de destino.
  3. Diminui o TTL em 1 (se chegar a 0, descarta o pacote).
  4. Procura na tabela de roteamento a melhor rota para o destino.
  5. Encapsula o pacote em um novo quadro para o enlace de saída e o envia.
Resultado da consultaO que acontece
O destino está em uma rede diretamente conectadaO pacote é entregue ao host de destino
O destino está em uma rede remota conhecidaO pacote vai ao próximo salto (next hop), outro roteador
Não há rota, mas existe uma rota padrãoO pacote vai ao próximo salto da rota padrão
Não há rota e não há rota padrãoO pacote é descartado (e um aviso ICMP “destino inalcançável” é enviado ao remetente)

A tabela de roteamento é a lista de redes que o roteador conhece e de como alcançá-las. Cada entrada traz, em essência:

InformaçãoPara que serve
Origem da rotaComo o roteador aprendeu a rota (conectada, estática, dinâmica)
Rede de destino e máscaraA rede que a rota alcança
Próximo saltoO endereço do próximo roteador (se a rede for remota)
Interface de saídaPor onde o pacote sai
Métrica / distância administrativaServem para escolher entre rotas (assunto do CCNA 2)
OrigemComo a rota entra na tabelaCódigo no IOS
Rede conectadaAutomaticamente, quando a interface tem IP e está ativaC (e L para o IP local)
Rota estáticaO administrador configura manualmenteS
Roteamento dinâmicoOs roteadores trocam informações usando um protocolo (RIP, OSPF, EIGRP)R, O, D

O comando mostra a tabela de roteamento IPv4 de um roteador Cisco:

Router#show ip route

Exemplo de saída (resumida):

Codes: L - local, C - connected, S - static, R - RIP, O - OSPF, D - EIGRP
Gateway of last resort is not set
10.0.0.0/8 is variably subnetted, 2 subnets, 2 masks
C 10.0.0.0/30 is directly connected, GigabitEthernet0/1
L 10.0.0.1/32 is directly connected, GigabitEthernet0/1
192.168.10.0/24 is variably subnetted, 2 subnets, 2 masks
C 192.168.10.0/24 is directly connected, GigabitEthernet0/0
L 192.168.10.1/32 is directly connected, GigabitEthernet0/0
S 192.168.20.0/24 [1/0] via 10.0.0.2
LinhaSignificado
C 192.168.10.0/24 is directly connected, G0/0A rede 192.168.10.0/24 está conectada à G0/0
L 192.168.10.1/32 ...Rota local: o endereço do próprio roteador (máscara /32)
S 192.168.20.0/24 [1/0] via 10.0.0.2Rota estática para 192.168.20.0/24, com próximo salto 10.0.0.2. O [1/0] é a distância administrativa (1) e a métrica (0)
Gateway of last resort is not setNão há rota padrão

Distância administrativa (visão rápida)

Section titled “Distância administrativa (visão rápida)”

Quando há duas rotas para o mesmo destino aprendidas por fontes diferentes, vence a de menor distância administrativa (DA):

Fonte da rotaDA
Rede conectada0
Rota estática1
EIGRP90
OSPF110
RIP120

A regra da correspondência mais específica

Section titled “A regra da correspondência mais específica”

Uma tabela pode ter várias rotas que servem para o mesmo destino. O roteador escolhe a rota com a máscara mais longa (o maior prefixo), ou seja, a mais específica. Isso se chama longest prefix match.

Exemplo: o roteador tem estas rotas:

RotaPróximo salto
10.0.0.0/8A
10.1.0.0/16B
10.1.1.0/24C
0.0.0.0/0 (padrão)D
DestinoRotas que casamEscolhida
10.1.1.9/8, /16, /24, /0/24 → C
10.1.2.9/8, /16, /0/16 → B
10.9.9.9/8, /0/8 → A
11.0.0.1só /0/0 → D
Router(config)#ip route 192.168.20.0 255.255.255.0 10.0.0.2
ParteSignificado
ip routeCria uma rota estática IPv4
192.168.20.0 255.255.255.0A rede de destino e a máscara
10.0.0.2O próximo salto (IP do roteador vizinho)
Router(config)#ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 10.0.0.2

A rede 0.0.0.0 com a máscara 0.0.0.0 casa com qualquer destino. É muito usada em roteadores de borda, para enviar tudo o que não é conhecido ao provedor de Internet.

CaracterísticaEstáticoDinâmico
ConfiguraçãoManualOs roteadores aprendem sozinhos
Adaptação a falhasNão se ajusta sozinhoRecalcula o caminho
Consumo de recursosBaixoMaior (CPU e banda)
Melhor usoRedes pequenas e rotas padrãoRedes maiores ou que mudam

Mini laboratório: duas redes ligadas por roteadores

Section titled “Mini laboratório: duas redes ligadas por roteadores”

Objetivo: ver a tabela de roteamento e fazer a comunicação funcionar com rotas estáticas.

Topologia:

flowchart LR
  A["PC1<br/>192.168.10.10"] --- B["R1<br/>G0/0 192.168.10.1"]
  B ---|"10.0.0.0/30"| C["R2<br/>G0/0 192.168.20.1"]
  C --- D["PC2<br/>192.168.20.10"]
DispositivoInterfaceEndereço
PC1NIC192.168.10.10/24, gateway 192.168.10.1
R1G0/0192.168.10.1/24
R1G0/110.0.0.1/30
R2G0/110.0.0.2/30
R2G0/0192.168.20.1/24
PC2NIC192.168.20.10/24, gateway 192.168.20.1

Use cabos Copper Straight-Through entre PC e roteador, e Copper Cross-Over entre os dois roteadores.

No R1:

Router>enable
Router#configure terminal
Router(config)#hostname R1
R1(config)#interface gigabitEthernet 0/0
R1(config-if)#ip address 192.168.10.1 255.255.255.0
R1(config-if)#no shutdown
R1(config-if)#exit
R1(config)#interface gigabitEthernet 0/1
R1(config-if)#ip address 10.0.0.1 255.255.255.252
R1(config-if)#no shutdown
R1(config-if)#end

No R2, faça o mesmo com os endereços da tabela (G0/1 10.0.0.2/30 e G0/0 192.168.20.1/24), usando hostname R2.

R1#show ip route
R1#show ip interface brief
  1. Anote as rotas C e L que aparecem no R1. A rede 192.168.20.0/24 está na tabela?
  2. Do PC1, faça ping 192.168.20.10. Observe o resultado.

No R1:

R1(config)#ip route 192.168.20.0 255.255.255.0 10.0.0.2
  1. Confira com show ip route (deve aparecer uma linha S).
  2. Repita o ping do PC1 para o PC2. Observe o resultado.

No R2:

R2(config)#ip route 192.168.10.0 255.255.255.0 10.0.0.1

Repita o ping.

Agora, no R1, troque a rota estática por uma rota padrão:

R1(config)#no ip route 192.168.20.0 255.255.255.0 10.0.0.2
R1(config)#ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 10.0.0.2
R1#show ip route

Observe a linha S* e a mensagem Gateway of last resort.

Preencha:

SituaçãoResultado do ping PC1 → PC2
Sem rotas estáticas?
Rota só no R1?
Rotas nos dois roteadores?

Perguntas para fixar:

  • Por que o ping falha quando só o R1 tem a rota?
  • Qual é a diferença entre as linhas C e L?
  • Que rota o roteador escolhe quando há /16 e /24 para o mesmo destino?
Ver respostas
SituaçãoResultado
Sem rotas estáticasFalha: o R1 responde “Destination host unreachable”, pois não conhece a rede 192.168.20.0/24
Rota só no R1Falha, com “Request timed out”: o pedido chega ao PC2, mas o R2 não sabe voltar para 192.168.10.0/24
Rotas nos doisFunciona
  • Porque o caminho de volta também precisa existir. O pacote de resposta chega ao R2, que não tem rota para a rede do PC1 e o descarta.
  • C é a rede conectada (por exemplo, /24); L é o endereço do próprio roteador na interface (/32).
  • A /24, a mais específica (maior prefixo).
  • O roteador desencapsula o quadro, lê o IP de destino, diminui o TTL, consulta a tabela de roteamento e reencapsula o pacote em um novo quadro.
  • Possíveis resultados: entrega a um host de rede conectada, envio ao próximo salto, uso da rota padrão ou descarte.
  • As rotas vêm de redes conectadas (C e L), de rotas estáticas (S) e de protocolos dinâmicos (R, O, D).
  • O roteador escolhe a rota mais específica (maior prefixo).
  • Rotas estáticas têm a forma ip route rede máscara próximo-salto; a rota padrão usa 0.0.0.0 0.0.0.0.
  • A comunicação precisa de rota de ida e de volta.