Cisco CCNAv7 - Tabela ARP e riscos de segurança
Introdução
Section titled “Introdução”A tabela ARP é uma das primeiras coisas que se consulta ao investigar um problema de conectividade na rede local. Neste post, você vai ver como ler e limpar a tabela ARP em vários sistemas e entender por que o ARP, que não tem nenhum mecanismo de autenticação, é um alvo conhecido de ataques, e como as redes se protegem.
Consultando a tabela ARP
Section titled “Consultando a tabela ARP”| Sistema | Comando |
|---|---|
| Windows | arp -a |
| Linux | ip neigh show (ou arp -n, se o pacote net-tools estiver instalado) |
| macOS | arp -a |
| Roteadores Cisco (IOS) | show ip arp |
No Windows
Section titled “No Windows”arp -aSaída (exemplo):
Interface: 192.168.1.10 --- 0x4 Endereço IP Endereço Físico Tipo 192.168.1.1 00-1a-2b-3c-4d-5e dinâmico 192.168.1.20 00-aa-bb-cc-dd-ee dinâmico 192.168.1.255 ff-ff-ff-ff-ff-ff estático| Coluna | Significado |
|---|---|
| Endereço IP | O IP resolvido |
| Endereço Físico | O MAC correspondente |
| Tipo | dinâmico (aprendido via ARP) ou estático (fixo, como o broadcast) |
No Linux
Section titled “No Linux”ip neigh showSaída (exemplo):
192.168.1.1 dev eth0 lladdr 00:1a:2b:3c:4d:5e REACHABLE192.168.1.20 dev eth0 lladdr 00:aa:bb:cc:dd:ee STALE| Campo | Significado |
|---|---|
| lladdr | O MAC (link-layer address) |
| REACHABLE | A entrada foi confirmada recentemente |
| STALE | A entrada está velha e será revalidada quando for usada |
No roteador Cisco
Section titled “No roteador Cisco”Router#show ip arpSaída (exemplo):
Protocol Address Age (min) Hardware Addr Type InterfaceInternet 192.168.1.1 - 0001.4a2b.1c3d ARPA GigabitEthernet0/0Internet 192.168.1.10 3 0002.5b3c.2d4e ARPA GigabitEthernet0/0| Coluna | Significado |
|---|---|
| Address | O IP |
| Age (min) | Há quantos minutos a entrada existe. O ”-” indica o endereço da própria interface do roteador |
| Hardware Addr | O MAC (no formato Cisco, com pontos) |
| Type | ARPA = encapsulamento Ethernet |
| Interface | A interface por onde a entrada foi aprendida |
Limpando a tabela ARP
Section titled “Limpando a tabela ARP”Limpar o cache é útil quando um dispositivo foi trocado (mesmo IP, novo MAC) e as entradas antigas atrapalham.
| Sistema | Comando |
|---|---|
| Windows (como administrador) | arp -d * |
| Linux (como root) | sudo ip neigh flush all |
| Roteador Cisco | clear arp-cache (modo privilegiado) |
Entradas estáticas
Section titled “Entradas estáticas”É possível fixar um par IP ⇄ MAC manualmente. A entrada não expira e não depende de resposta ARP:
No Windows (como administrador):
arp -s 192.168.1.1 00-1a-2b-3c-4d-5eNo Linux (como root):
sudo ip neigh add 192.168.1.1 lladdr 00:1a:2b:3c:4d:5e dev eth0 nud permanentNo roteador Cisco:
Router(config)#arp 192.168.1.50 0002.5b3c.2d4e arpaEntradas estáticas dão mais segurança, mas exigem manutenção manual: se o MAC mudar, a comunicação falha.
Diagnóstico com a tabela ARP
Section titled “Diagnóstico com a tabela ARP”| Sintoma | O que verificar na tabela ARP |
|---|---|
| Não alcança um host local | O IP dele aparece na tabela? Se aparece como incompleto ou não aparece, o host não respondeu ao ARP |
| Não alcança nada fora da rede | O MAC do gateway está na tabela? Se não estiver, o ARP para o gateway falhou |
| Dois IPs diferentes com o mesmo MAC | Pode ser normal (um roteador responde por vários IPs), mas pode indicar ARP spoofing (veja abaixo) |
| Conexão intermitente depois de trocar um equipamento | Entrada antiga com o MAC desatualizado: limpe o cache |
Riscos de segurança do ARP
Section titled “Riscos de segurança do ARP”O ARP foi criado em uma época em que se confiava em todos os dispositivos da rede local. Por isso, ele não tem autenticação: qualquer dispositivo pode enviar uma resposta ARP, mesmo sem ter sido perguntado, e os outros aceitam a informação.
ARP spoofing (envenenamento de ARP)
Section titled “ARP spoofing (envenenamento de ARP)”No ARP spoofing, um dispositivo malicioso na mesma rede local envia respostas ARP falsas, associando o seu próprio MAC ao IP de outro dispositivo (muitas vezes, o do gateway). Os demais hosts atualizam o cache e passam a enviar os quadros ao dispositivo errado.
flowchart LR A["Vítima"] -->|"Cache envenenado"| B["Dispositivo malicioso"] -->|"Repassa o tráfego"| C["Gateway"]
| Consequência | Descrição |
|---|---|
| Interceptação (man-in-the-middle) | O invasor vê (e pode alterar) o tráfego da vítima |
| Negação de serviço | O tráfego é descartado, e a vítima perde conectividade |
Como se defender
Section titled “Como se defender”| Defesa | Como ajuda |
|---|---|
| Dynamic ARP Inspection (DAI) | Recurso dos switches gerenciáveis que valida as mensagens ARP e descarta as falsas (usa a base do DHCP snooping). É estudado no CCNA 3 |
| Port security | Limita quais MACs podem usar cada porta do switch |
| Entradas ARP estáticas | Em equipamentos críticos (por exemplo, o gateway em servidores), fixam o MAC correto |
| Segmentação com VLANs | Reduz o número de dispositivos que podem atacar uns aos outros |
| Criptografia ponta a ponta (HTTPS, VPN, SSH) | Mesmo que o tráfego seja desviado, o conteúdo não pode ser lido |
| Monitoramento | Ferramentas que alertam sobre mudanças inesperadas no MAC do gateway |
Mini laboratório: gerenciando a tabela ARP
Section titled “Mini laboratório: gerenciando a tabela ARP”Objetivo: consultar, limpar e fixar entradas ARP.
Parte 1: no seu computador
Section titled “Parte 1: no seu computador”-
Consulte a tabela ARP.
Linux:
ip neigh show. Windows:arp -a. -
Anote o IP e o MAC do seu gateway.
-
Limpe a tabela (comando da seção Limpando a tabela ARP) e consulte de novo. O que aconteceu?
-
Faça
pingpara o gateway e consulte a tabela mais uma vez.
| Passo | O que foi observado |
|---|---|
| Tabela antes de limpar | ? |
| Tabela logo após limpar | ? |
Tabela depois do ping ao gateway | ? |
Parte 2: no Packet Tracer
Section titled “Parte 2: no Packet Tracer”Topologia: 2 PCs e 1 roteador, com 2 redes (192.168.1.0/24 e 10.0.0.0/24), como no laboratório do post anterior.
- No PC1, rode
arp -a(tabela vazia). - Faça
ping 10.0.0.50(ou o IP do host da outra rede) e rodearp -a. - Observe qual MAC aparece na tabela do PC1: o do gateway ou o do host remoto?
- No roteador, rode
show ip arp. Quais entradas existem e o que significa o ”-” na coluna Age? - No roteador, rode
clear arp-cachee consulte de novo.
Parte 3: pense na segurança
Section titled “Parte 3: pense na segurança”Responda:
- Por que o ARP é vulnerável a respostas falsas?
- Se o MAC do gateway na tabela ARP de um PC passar a ser igual ao MAC de outro host da rede, o que isso pode indicar?
- Cite duas defesas que um administrador de rede pode adotar.
Ver respostas
Parte 1: logo após limpar, a tabela fica sem entradas dinâmicas (ou quase); depois do ping, o gateway volta a aparecer.
Parte 2: na tabela do PC1 aparece o MAC do gateway (e não o do host remoto). No roteador, aparecem as entradas dos hosts conectados e das próprias interfaces (com ”-” na coluna Age).
Parte 3:
- Porque o ARP não tem autenticação: qualquer dispositivo pode enviar uma resposta, e os outros a aceitam.
- Pode indicar ARP spoofing: um host está se passando pelo gateway.
- Por exemplo: Dynamic ARP Inspection, port security, entradas estáticas, VLANs e criptografia ponta a ponta.
Resumo
Section titled “Resumo”- Consulte a tabela ARP com
arp -a(Windows e macOS),ip neigh show(Linux) eshow ip arp(Cisco). - Limpe com
arp -d *,ip neigh flush alleclear arp-cache. - Entradas dinâmicas são aprendidas e expiram. Entradas estáticas são fixas e manuais.
- Em diagnóstico, verifique se o IP e o MAC do gateway estão na tabela.
- O ARP não tem autenticação, o que permite o ARP spoofing. As defesas incluem DAI, port security, VLANs, entradas estáticas e criptografia.
